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Medicamentos na gravidez

Uma dúvida frequente entre as mulheres que estão gastando ou pretendem engravidar em breve é em relação ao uso de medicações psicotrópicas e seus riscos para o concepto.


De início é importante deixar claro o conceito de "TERATOGENICIDADE". Na década de sessenta do século passado houve o que foi chamado de "tragédia da Talidomida", uma medicação usada inicialmente como sedativo. Como ela atravessa a barreira placentária, interfere diretamente no desenvolvimento do feto, causando graves defeitos visuais, auditivos, da coluna vertebral, do tubo digestivo e problemas cardíacos. Em 1961, foi retirada do mercado mundial. Por força da Portaria nº 354, de 15 de agosto de 1997, tornou-se proibida para mulheres em idade fértil em todo o território nacional. Logo, são consideradas drogas teratogênicas aquelas que, assim como a Talidomida, quando administradas às gestantes determinam anormalidade (s) morfológica (s) ou funcional (is) no feto.


Em 1979, o FDA (Food and Drugs Administration), determinou categorias de risco para as diversas drogas existentes quando usadas durante o período gestacional (Categoria A, B, C, D e X).


A maioria das drogas psicotrópicas, ou seja, que agem sobre o Sistema Nervoso Central, comumente utilizadas na Psiquiatria , estão classificadas dentro da CATEGORIA C. Deve-se então sempre levar em consideração o conceito de RISCO versus BENEFÍCIO. Por exemplo, uma gestante com quadro de ansiedade e crises de pânico frequentes, vai se beneficiar mais do uso de uma medicação (mesmo que classe C) do que se estivesse expondo o feto ao forte estresse (aumento do hormônio cortisol) por determinado período de tempo.


Estudos apresentados na conferência da American Thoracic Society em Toronto relatam que gestantes estressadas podem aumentar as chances de o bebê sofrer com alergias respiratórias, principalmente asma. Outras pesquisas demonstram atraso no desenvolvimento da criança, incluindo problemas de atenção e aprendizagem, ansiedade, sintomas depressivos, atraso no uso da linguagem, maior risco de apresentar TDAH e até autismo. Um estudo realizado na Dinamarca verificou que gestantes com altos níveis de estresse psicológico apresentaram 80% a mais de chances de terem parto prematuro, quando comparadas a gestantes com níveis baixos de estresse.


Logo, cabe ao médico saber quais drogas são, de acordo com a literatura, mais seguras durante este período e escolher sempre a opção que ofereça menor risco quando a suspensão da medicação não se mostra suficiente benéfica.


Por isto, se pretende engravidar ou já está gestando, e encontra-se em dúvida sobre a medicação que está tomando e seus riscos para o feto consulte o seu médico psiquiatra. Ele estará apto a orienta-la quanto a melhor conduta.


Me perguntaram recentemente em relação ao uso de Benzodiazepínicos durante a gestação, em particular o Alprazolam. Tal medicação está dentro da CLASSE C, porém outros da mesma família, não. Pertencem a classe D o Diazepam, por exemplo. Os Benzodiazepínicos possuem risco de mal formação fetal quando o feto é exposto entre a segunda e a oitava semana após a concepção. No entanto o uso intermitente (pouco frequente) de pequenas doses e optando-se pelos de meia-vida curta pode ser útil durante algumas etapas da gravidez, principalmente para controle da ansiedade excessiva como eventual crise de pânico, por exemplo. Atente-se ao uso crônico, que deverá ser desestimulado, pois é frequente a Sd. do "Floppy Baby" (o bebe nasce com hipotonia muscular - "bebê mole"). E, já que a substância chega ao feto através da placenta, pode apresentar sintomas de abstinência após o nascimento também. O ideal seria controlar a ansiedade com outro tipo de medicação mais segura. Evite a automedicação e busque orientações de seu médico antes de suspender qualquer tipo de droga, inclusive o Alprazolam, certo? 


Em caso de dúvida, deixe seu comentário.


Abraço;

Dr. Raphael Menezes Pinto


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Tabela retirada do site: http://www.arscentro.min-saude.pt/Institucional/

 
 
 

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